O Lado B de Dari Pasternak

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Dari

“Começar a frase com “vai que…”, por exemplo, mas “vai que acontece tal coisa…”. E é uma frase bem minha, cheia dos planos B.”

 

Dizem que os opostos se atraem. Na na ni na não! Quando se trata dos meus amigos os iguais é que são atraídos um pelo o outro.

Os iguais a mim, claro!

E a Dari é uma dessas “mini mim”, que apesar de magrinha e com alguns números a mais no QI, é a cópia da minha alma. Engraçada, sem tempo pra disse que me disse, amiga de quase todo mundo, fala de tudo e ri muito. Enfim, uma boa praça! Uma querida figura que o marido me apresentou e que eu nunca mais larguei. Tem festa? Chama a Dari! Vai pro bar? Chama a Dari! E não é só de bom papo que se faz uma noite massa ao lado dela, as risadas sempre fazem parte do combo diversão é solução, sim!

Numa dessas festinhas da vida, tava ela pulando e dançando numa moita, e decidi que estava na hora de irmos pra casa (ela estava de carona comigo e Fabras), fui buscá-la, peguei-a pela mão e expliquei didaticamente:

– Dari, vamos, então?

– Mas já?

– Sim, é super tarde e daqui pra frente só ladeira abaixo (e eu sei bem a altura da minha ladeira).

Nisso, virei para me despedir de outros amigos, e quando volto pra falar com ela, cadê?

A criatura fugiu de mim e lá saio eu catando a Dari pela festinha novamente. Desta vez tava fervendo na pistinha e fingindo que não me via!

Peguei-a pela mão novamente.

– Agora vamos mesmo e sem o risco de fuga, porque já me despedi de todo mundo!!!

Nesta edição do ‘Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação’, apresento a minha amiga, minha irmã camarada, Dariene  Pasternak! <3

– Fala quem tá falando!

Dariene Pasternak, 39, jornalista, editora do caderno de cultura Plural, dona de casa, botequeira, ansiosa, com plano B, C e D sempre na manga, admiradora do bom gosto e também da cafonice autêntica.

– A viagem ou passeio dos sonhos que virou cilada.

Têm várias, mas lembro de uma engraçadinha. Eu e uma amiga conseguimos tirar férias no mesmo período para podermos viajar juntas. Vínhamos de uns dois anos sem férias, havíamos trabalhado juntas numa assessoria de imprensa, depois no AN Capital e depois emendamos com o Notícias do Dia. Então, sonhávamos com as férias. Decidimos ir à Bahia, consegui uns bônus de viagem com outra amiga e enfim numa superpromoção, de baixa temporada, tínhamos 15 dias em Arraial d’Ajuda em frente ao mar.

Partimos bem animadas, com uma mala cheia de roupas para badalar em Arraial e região, mas nem passou pelas nossas cabeças o que significava realmente baixa temporada (além de ser mais barato) e que estávamos indo à Bahia, e axé definitivamente não era nossa praia, nem com muitas doses a mais.

Chegamos lá o hotel estava tudo ok, saímos para a primeira noite, onde nos indicaram, na rua onde tem bares, restaurantes e comércio. No tal lugar, só estávamos nós duas e mais uns cinco cachorros de rua. Enfim, estava tudo vazio e, para o desespero, era uma sexta-feira e tínhamos mais 14 dias à frente. No hotel onde estávamos só tinha nós e um monte de casais apaixonados. Realmente não era nossa história. Enfim, a viagem acabou sendo bem legal porque começamos aproveitar o dia, fizemos um monte de passeios legais, visitamos praias lindas, mergulhamos e chegávamos à noite mortas e nem queríamos sair, pois nem tinha onde.

No final até descobrimos um bar de rock, com uma banda com aquele repertório batido e mal tocado, foi igual ser catapultada a uma festa na minha cidade quando tinha 15 anos. Os cinco cachorros também ficaram nossos amigos. Um a minha amiga quis levar no veterinário e no final ele ameaçou uma mordida e quase fomos parar no médico. Enfim, voltamos cheia de histórias, com a perna dura de tanto caminhar e sem rugas, porque Bahia realmente faz bem à alma.

– Se te dessem uma oportunidade de refazer alguma obra arquitetônica importante (pode trocar por obra de arte, filme ou música), qual você escolheria e de que forma faria?

 Uma vez teve um congresso internacional de arquitetura e entrevistei um arquiteto e urbanista super bambambã que disse que demolição fazia parte da arquitetura, principalmente quando se constroem edificações “alienígenas” nas cidades, que tapam visões, destoam do conjunto arquitetônico, não fazem relações bem feitas entre o novo e o velho.

Achei lindo, me apaixonei e enfim tenho uma lista de obras que eu demoliria por aí. Por elegância, não vou falar diretamente. Porém, sugiro uma obra, ali na entrada da cidade-ilha, ao lado direito: com aquela bela vista para a baía Sul e os morros, fazer um cinema “plein air” para funcionar nas noites de verão, aqueles de arquibancada em anfiteatro e tela enorme retrátil. Ficaria uma coisa linda.

– Você ganhou a chance de nascer de novo e escolher ser alguém diferente, famoso ou não. Quem você escolheria e por quê?

Poderia ser eu mesma, mais bem acabada esteticamente, mais relaxada, com menos problemas, mais disciplina, mais idiomas, menos dificuldades, mais dinheiro e, principalmente, com (muito mais) tempo livre.

– Tá na moda, mas eu passo.

Aqueles saltos muito altos, com plataforma, além de não me equilibrar bem, tenho pressa sempre. Preciso de rasteiras, saltos baixos, que me conduzem rápido,

 – O que mais te causa irritação?

Gente fútil, me cansa na verdade. Gente que sabe demais e tem que falar o tempo inteiro o que sabe demais. Gente que se apropria das ideias dos outros sem crédito. E fila, em qualquer lugar.

 – Que bebida causa estrago na certa no dia seguinte?

Praticamente todas, em excesso mesmo, são mortais.

– O que te corta a onda quando o assunto é inspiração?

Caretice e machismo são complicados.

– Uma música que você adora, mas que tem (ou teve) vergonha de admitir que gostava.

Eu gostei de Menudos na época, mas para ser moderninha, dizia que não gostava. Uma bobagem, ou não, mas talvez tenha sido positivo.

 – Defina um programa de índio.

Ter que ir numa daquelas palestras meio motivacionais. Dá um sono ZZZZ, me desmotivam.

– Qual sua frase clichê preferida?

Começar a frase com “vai que…”, por exemplo, mas “vai que acontece tal coisa…”. E é uma frase bem minha, cheia dos planos B. Na verdade, no meu dicionário defendo o “vaique” como uma palavra única.

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