Feira da vitrola

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Florianópolis não tem nenhuma Benedito Calixto, em São Paulo, ou feiras constantes como as da Redenção (Porto Alegre) e do Largo da Ordem (Curitiba), mas quem gosta de colecionar os bons e velhos discos de vinil costuma se encontrar de três em três meses nas pequenas mas disputadas Feiras do Vinil que acontecem no centro da cidade, sempre aos sábados. As feiras acontecem há mais de cinco anos e ajudam a movimentar o parco mercado de sebos de discos, que se restinge a menos de uma dúzia de endereços pelo Centro, Lagoa da Conceição e no continente (no Estreito, em especial).

A mais recente aconteceu em um restaurante na rua Fernando Machado e contou com 10 expositores e milhares de discos dos mais diferentes estilos musicais catalogáveis – tem desde antiquíssimas coletâneas de tango e bolero a picture discs (aqueles discos cuja capa é desenhada nos próprios sulcos do vinil) de bandas novas e descoladas, raridades do metal extremo europeu, clássicos importados de jazz e folk, música brasileira de primeira e segunda divisão e muito som dos anos 1970 e 1980. Nas paredes, várias capas clássicas de discos emolduradas e pôsteres mostram que a cultura pop nunca deixou de ser uma opção de decoração descolada para o lar (dependendo do gosto de cada um, é claro).

feiravinil3O público é tão heterogêneo quanto os sons que rolam na feira. Enquanto muitos quarentões e cinquentões curam um pouco o saudosismo dos tempos em que as redes sociais chamavam-se fã-clube, que downloads eram feitos em aparelho de double deck – sempre com qualidade inferior ao original – e que uma caneta Bic podia salvar aquela fita que enroscou no som do carro, a gurizada dos vinte e poucos anos se distrai com as versões novas, em vinis caros e de 180 gramas, de discos que elas só conheciam graças ao MP3. Não à toa, clássicos como “África Brasil” (Jorge Ben) e “Acabou Chorare” (Novos Baianos), podiam muito bem ser vendidos por R$ 120,00 que ninguém reclamava.

Particularmente, como “Zé Sebinho” que sou e remanescente do tempo em que vinil e cassette eram o que tínhamos pra ouvir, costumo cavocar de caixa em caixa sem pressa, comparar preços, negociar um chorinho, ver o estado dos sulcos (se tem arranhões ou furos) e bater um papo sobre som com os vendedores.

Porque além da decoração bacana de uma casa, poucas coisas são tão alto astral quanto o som de um disquinho na vitrola alegrando um encontro com os amigos ou aqueles fins de semana de sol e preguiça.

– Fabricio Umpierres

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