Eu não quero colher goiabas!

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goiaba

Gente, mudei. Meio sem querer. Mas mudei para uma casa linda, no meio do verde, cheia dos ‘breguétis’, de árvores frutíferas e de tudo aquilo que qualquer ser humano normal amaria se estivesse no meu lugar! Eu, abilolada da cabeça, ainda não sei lidar com minha nova morada – a internet não chega, os contatos visuais e um olá ou outro são trocados somente com o jardineiro do terreno ao lado, com o limpador da piscina do mesmo terreno (confesso que espero chegar a sexta-feira para sorrir para alguém que não sejam meus gatos ou o querido). Mas disso tudo, o que mais me deixa confusa e culpada são os frutos que apodrecem e caem aos borbotões pelo terreno.

A paranóia é tamanha que temo a aparição da Patrulha dos Orgânicos Sem Lactose Sem Glúten Sem Açúcar e Sem Gosto para me apontar o dedo nas fuças e mandar: tudo à tua mão e desperdiças esta linda oportunidade de colher os frutos direto do pé! Pois bem, é justamente este ponto que pega. Eu não quero ser a maluca dos orgânicos, não nasci para ficar com um cesto catando frutinhos aqui e ali, simplesmente não tenho paciência, não sou politicamente correta e, sinceramente, preferia que eles caíssem na minha fruteira meio que por osmose. Módique, tenho plena consciência da minha tendência para a malaquice. Mas em vez de relaxar e ligar o foda-se eu me sinto culpada. Culpada não, acabo arrastando um bode enorme porque penso quantos aí queriam ter uma casa linda, com árvores frutíferas, e não podem. Eu tenho e deixo as pobres das frutas cairem do pé e morrer assim, em nada, estiradas no chão! Maldade pura!

Sem falar que morar numa casa cheia de possibilidades agrícolas pode ser uma aporrinhação sem fim. Amigos sugerem que sejamos os neo-hortifrutigranjeiros da hora: “gente, agora vocês podem ter até uma horta”! E eu penso: “Cê me jura”? A única coisa que me vem em mente são as hortaliças embaladinhas lá do super. É só eu estender a mão e tchanran!! Além do que, não preciso de mais uma frustração para a minha vida – assassina de alfaces e cebolinhas.

Por conta dessas coisas eu ainda não consegui relaxar e curtir a nossa casinha como deveria. A cada vez que vejo uma goiaba, laranja ou carambola jogadas ao léu, meu coração se parte e me sinto uma irresponsável da natureza. Por outro lado, não tenho a menor vontade de incorporar a camponesa engajada! Marido disse para eu colher os frutos e parar com esta bobiça. Enquanto eu, já pensando um pouquinho além, pretendo acabar com este problema pela raiz.

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9 comments

  1. Luiza says:

    Kkkkkk tu és demais guria, adoro o jeito que escreves, kkkkkk…..me retorci de tanto gargalhar imaginando : tu com um pedaço de pau com um baldinho na ponta para as frutas não se espatifarem no chão…

  2. Cris Cardoso says:

    Guria, tire essa preguiça do couro, só um pouquinho, e colha as frutas. Dê para alguém que goste de fazer doces e geleias (achar contatos quentes é contigo, não é?). Aí as goiabas, laranjas e carambolas voltarão embaladas do jeito que gostas.
    Parabéns pela nova casa. É linda.

  3. Kátia Storch says:

    God!!!!! Desculpe chegar sem “bater” mas vivo este dilema da goiaba. Posso pegar umassss “4” e todos os dias devem cair no mínimo 100. Estateladas e a terra já está adubada por demais. Mas morro de pena,;até arriscaria fazer o doce ou mesmo doar. Vc encontrou uma solução??? Já estou pensando em colocar telas ao redor. kkkkk Amando minha vida nova e meu quintal que chamo de Fazenda Villa Poética, nome também da casa. Sempre morei em apto e Papai do Céu msndou esta casa fofa e estou feliz, mas em desespero com.o desperdício e as bichinhas no chão. Bjs querida!

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