As coisas nos encontram quando estamos abertos

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Bel Lobo

Bel Lobo

Bel Lobo abre o segundo bloco de debates do Seminário Internacional da Bienal Brasileira de Design, na Fiesc, Florianópolis

– Logo que me formei queria fazer urbanismo; então eu e alguns amigos decidimos construir nosso ateliê. Só que o dinheiro acabou antes. Então resolvi fazer outra coisa: passei na porta da Richards e me candidatei como vendedora! – diverte-se. Durante um ano e meio, Bel trabalhou como vendedora e conseguiu dinheiro para terminar a obra do ateliê. – Eu não era boa vendedora,  mas sou boa de cores. Então sugeria combinar uma camisa com uma calça e por aí vai. Então acabava vendendo.

Nas horas vagas, Bel literalmente virava e mexia; mudava móveis de lugar, ajeitava luminárias, inventava detalhes. – Depois que saí, o pessoal da Richards lembrou daquela doida que vivia remexendo tudo – conta. – E então me convidaram para fazer uma loja, depois outra, depois outra – e a gente faz até hoje. Bel costuma dizer que nunca precisou fazer currículo, porque todo mundo via as lojas e perguntava:  “Quem fez? Foi a Bel Lobo”.

Quando diz “a gente”,  Bel Lobo refere-se ao seu coletivo de criação. – Sempre digo que “eu sou nós”, portanto trabalho sempre com muita gente que gosto e faço tudo junto. Assim é mais fácil, a gente gosta, aprende e se diverte muito – diz.

– Deixo a vida me levar, mas trabalho muito. Cada loja tem uma cara diferente mas tem muito o estilo do cliente.

Dentre os mais de 400 projetos realizados pelo escritório da arquiteta estão as lojas da Melissa, a rede de livrarias Travessa, as lojas da Granado, da griffe de cosméticos Quem Disse, Berenice? e a Puket. – Hoje tem Puket até nos Emirados Árabes – conta Bel.

Linha de mobiliário foi ideia dos clientes

Depois de desenhar mobiliário para tantas lojas – inclusive restaurantes e lojas de fast-food, como o Bob’s e o Bibi, no Rio – os clientes começaram a sugerir que criasse peças de mobiliário. Foi assim que surgiu a m.o.o.c – móveis e objetos e outras coisas – conta Bel. Com a m.o.o.c. passamos a fazer móveis e decoração de residências.

O trabalho com a m.o.o.c. levou à parceria com a Tok & Stok na linha Vira e Mexe,  cujo conceito é “você muda e a Vira e Mexe muda com você”. Ou seja: tudo é adaptável, mutável, reorganizável.

– Gostamos muito de fazer a linha, que é mais barata, sim: mas ainda não chegamos ao “barato”.  A gente quer desenhar para muito mais gente – anima-se Bel. – A ideia é servir às pessoas, ao que elas precisam, ao que elas querem.

Um dos projetos que a entusiasmam foi o da Biblioteca-Parque, da Prefeitura do Rio, que fica na Avenida Presidente Vargas, no centro da cidade.

– É uma alegria a gente ver um morador de rua e um doutorando usando a biblioteca da mesma maneira. É um espaço muito dinâmico, onde as pessoas se sentem realmente à-vontade – conta Bel. – Vive lotada!

Bel e sua equipe mantiveram uma compact-store durante um ano, que vendia os mais difrentes tipos de móveis, desde uma mesa adaptada do projeto da loja Salinas até poltronas feitas com câmara de pneu de trator e revestidas em neoprene, criadas para a Biblioteca-Parque, e mesmo um chuveirão portátil que pode ser levado para qualquer lugar, herança do programa Decora, do canal GNT, que Bel apresentava até recentemente.

“Decora” e “Lá fora”: a experiência da TV

– Um dia resolveram me convidar para apresentar o Decora. Eu disse: “Eu????” Me disseram que era por causa da experiência das lojas. Tudo tinha de ser rápido, prático e barato. Eu tinha um dia pra fazer obra, imagina! Na segunda temporada, passei a ter dois dias.

Bel recorda projetos emblemáticos, como a copa de uma família de cinco irmãos que moravam juntos e queriam um lugar “pra bater bolo”.  Ela restaurou as cadeiras antigas e colocou o nome de cada um no encosto, “igual àqueles ursinhos da história” – lembra.

Outra boa lembrança é o quarto do menino bagunceiro. – Ele tinha um edredom que ninguém mexia. Então eu chamei uma amiga que faz maravilhas na costura e pedi que o transformasse num cachorro, mas sem cortar, para não magoar o dono – que aliás adorou, diverte-se.

No “Lá Fora”, que intervém em espaços abertos, Bel recorda a intervenção em uma colônia de pescadores em Paquetá: – Levamos um monte de material e, nas conversas com o pessoal, as crianças pediram uma bibliotequinha! E agora???, pensei – conta. – O jeito foi ligar para um amigo de uma editora, conseguir alguns livros, encontrar um espaço e adaptar.

– Agente quer é servir. Procuro fazer uma arquitetura mais invisível, mais “serva”, que atenda às pessoas. Acabamos dormindo em Paquetá e ficamos ouvindo as histórias dos pescadores, entendendo o que queriam e o que sonhavam. Foi uma maravilha fazer esse trabalho – entusiasma-se.

Entre idas e vindas, entre a televisão, o escritório e as experiências humanas, Bel acredita que o importante é realizar projetos felizes.

– A vida é brincar. Eu acho mesmo que vim aqui pra terra pra me divertir, ajudar os outros -conclui.

Imagem by: Sandra Puente

*Com informações da Meio e Imagem Comunicação

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