“Aqui nessa ‘Casa’ ninguém quer a sua boa educação…”

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A dona desta Casa

*Título livremente chupado da letra de ‘Volte para o Seu Lar’, do titânico Arnaldo Antunes

O mundo está um pouco sonolento de pessoas ditando referências, tendências, inspirações, e de ouvir nomes e citações impronunciáveis ou inteligíveis. Aqui nós queremos saber do lado B de cada um, daquilo que definitivamente não te motiva, de uma opinião sincera e sem medo de crítica sobre uma obra ou autor que todos incensam, mas na sua petulante opinião nem é tudo aquilo. Ou mesmo daquela viagem dos sonhos que não passa de um grande mico, da vontade silenciosa de ter nascido a Madonna…

Enfim, tudo aquilo que pensamos, mas não falamos de jeito nenhum, pois podemos soar desagradáveis e, lá no fundo, queremos ser aceitos, os fofinhos de alma. Deixa eu te contar: aqui você pode ser escrachado, o sincerão da vez e, se ainda tiver verve cômica, divertido! Porque nem sempre somente o lado A é bonitinho, aqui no Casa as facetas B,  C e D são super bem-vindas. E para quebrar a timidez dos futuros participantes, serei eu, a dona do Casa, a atirar a primeira pedra.

“Não há no mundo coisa mais difícil do que a sinceridade e mais fácil do que a lisonja.” (trecho de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski)

 

– Fala quem tá falando!

Fabiana Henrique, 43 anos, Jornalista, blogueira e palpiteira para assuntos da vida, arquitetura, decoração e design

– A viagem ou passeio dos sonhos que virou cilada.

Um sonho – Subir o Morro da Igreja, em Urubici, conhecer a Pedra Furada, ficar hospedada numa pousada de charme, jantar a luz de lamparina num bistrô que serve trutas, indicado pelos guias mais respeitados.

A realidade – Colocamos os pés na pousada, a dita charmosa, e por conta do aquecimento geral e total, inclusive do piso do quarto, passei mal os dois dias que ficamos na cidade. Eu me sentia como uma destas pessoas que andam com um balão de oxigênio a tiracolo – buscava o ar com tanta força que mais parecia que ia ter uma parada respiratória.

O bistrô? Era lindo – aquecimento total (DE NOVO!) meia luz, lareira, atendimento ótimo e uma comida maravilhosa, que tive de ‘saborear’ como se estivesse participando de um destes concursos que sai vencedor quem come a maior quantidade de comida no menor espaço de tempo. Eu parecia um pedreiro. Devorei tudo em 10 minutos, fiz o marido pedir a conta e sai correndo com um quase ataque de asma. No domingo, tomamos um café maravilhoso acompanhado de uma torta de maçã igualzinha a da Vovó Donalda, botamos as bagagens no carro, dei ADEUS a Urubici e só respirei aliviada (literalmente) quando chegamos a Lauro Müller, onde nos perdemos, por sinal. Urubici tem pontos turísticos belíssimos, pousadas fofíssimas e charmosas, lugares ótimos para comer, mas não indico num frio de 7oC para alérgicos e ‘rinitentos’ como eu. Vai no verão, viu?!!

– Se te dessem uma oportunidade de refazer alguma obra arquitetônica importante, qual você escolheria e de que forma faria?

A Praça dos Três Poderes, que reúne os prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. Ali não tem um pé de boldo para fazer sombra. É o horror!

Sei que é muita petulância minha e, inclusive, lembro que o Niemeyer chamou de pouco inteligente, no programa Roda Viva, quem questionava a falta de árvores naquele lugar. Pois bem, antes de eu enveredar para este fantástico mundo do freela, do quero ter meu próprio negócio, trabalhei por 13 anos como assessora de imprensa de um deputado federal e frequentemente ia a Brasília. E só quem vai a Capital Federal e fica enfurnada um dia inteiro no prédio do Congresso sabe o quão tentador é poder pegar seu almoço, que geralmente é um lanche no meio da tarde, e ir para a rua comer sentada em um banquinho, sob uma árvore.

Realidade, você sai na porta do Congresso e não tem árvore, não tem banco, não tem nada, só o calor seco de Brasília e aquele céu azul, que de tão azul chega a ser opressor! Niemeyer sou meio lesa e te acho o ôro, mas queria árvores, sim, na Praça dos Três Poderes!

– Você ganhou a chance de nascer de novo e escolher ser alguém diferente, famoso ou não. Quem você escolheria e por que?

Não seria a pessoa em si, mas um amontoado de coisas de cada uma delas – Queria ter a maluquice, a inteligência, o humor escrachado e o closet da Fernanda Young, a beleza e a joie de vivre da Adriana Barra, o charme e a voz da Marisa Monte, e a casa e as experiências do André Midani.

– O que mais te causa irritação?

Falsa modéstia, criaturas que fazem citações que ninguém conhece só para parecer descolado, ou o bom vivant de almanaque e suas referências manjadas – ouço jazz acompanhado de um bom merlot, e o Marais podia ser meu lugar no mundo. Zzzzzzzzz…..

– Que bebida causa estrago na certa no dia seguinte?

Cachaça – cara ou barata

– O que te corta a onda quando o assunto é inspiração?

Barulho intermitente de instrumento musical e com repetição de notas. Já fui à loucura, literalmente.

– Uma música que você adora, mas que tem (ou teve) vergonha de admitir que gostava.

É o Amor  (É lindaaa!!!)

– Defina um programa de índio.

Balada lotada, sem lugar pra sentar, fila para chamar o garçom, pegar bebida, ir ao banheiro…  Com o adicional de gente esquisita e música péssima. Não me convidem! Álias, não me convidem pra qualquer coisa que se chame ‘balada’!

– Qual sua frase clichê preferida?

“Haja bobo que plano não falta!”

 

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